
Familiares, torcedores e amigos se despediram do ídolo
Vivinho nesta terça-feira. O sorriso e a simplicidade eram suas principais
marcas. Fazer gols, e gols importantes, nem se fala. O que o centroavante veloz
e habilidoso gostava de fazer era jogar futebol. Tanto é que mesmo depois da
aposentadoria, em 1997, passou a atuar em torneios pelo Vasco no máster. O último que participou foi em Altamira, no Pará.
Em um lance com o goleiro adversário, Vivinho levou a pior e foi atingido
no rosto. Quebrou o nariz e sofreu um afundamento da face. Fez a cirurgia no
nariz ainda no estado do Pará e retornou ao Rio de Janeiro, onde morava, para
se recuperar. O ídolo de Vasco e Uberlândia vinha se recuperando bem, de acordo
com a família, até que na manhã de domingo sofreu uma embolia pulmonar ao
descer as escadas de casa. Ele faleceu no mesmo dia. Durante a reabilitação, muitos aconselharam Vivinho a processar o goleiro, até a
própria família, mas segundo a filha Paula Marcelino, o pai, que era pastor na
capital fluminense, perdoou o jogador pelo lance ainda na cidade da partida.
– [O jogador] pediu perdão e meu pai perdoou. A gente
perguntou se ele ia processar. Quando ele voltou para o Rio, disse que não. Que
já tinha liberado o perdão, que assim ele como tinha a família dele, o goleiro
também tinha. Então, eu vou respeitar a vontade dele. Nada vai pagar a dor que
eu estou sentido de enterrar o meu pai. Acredito que a pessoa que machucou meu
pai também deve estar sentindo essa dor e deve estar muito arrependida –
explicou.
Perdão que foi até comentado por Vivinho com os amigos. Um deles, o
amigo de infância Nivaldo Cecílio, disse que conversou com o ex-jogador há
poucos dias sobre a cirurgia. Nivaldo exibiu a foto que Vivinho enviou para
mostrar estar se recuperando bem, com curativos no nariz.
– Até neste momento difícil ele brincou. Falei com
ele: e o nariz? Ele respondeu: o nariz eu operei, mas o osso não. Eu perguntei:
mas o osso cola, né? Ele respondeu: cola, mas vai ficar rebaixado igual ao Vasco.
Nessa tranquilidade. Brincava com tudo – lembrou.
Campeão carioca e brasileiro pelo Vasco em 1988 e 89, respectivamente, o ponta-direita, que chegou a defender a Seleção, foi ídolo no Gigante da Colina e ficou marcado pelo gol contra a Portuguesa, pelo Brasileiro de 1988, quando deu três lençóis no volante Capitão e completou para o gol. No Uberlândia Esporte, ele foi autor do gol que deu o título mais importante da história do clube, a Taça de Prata, em 1984.